Metabolic HealthArtigo CientíficoAcesso Aberto

Novos medicamentos podem impedir que a perda de peso com GLP-1 custe massa muscular?

Os medicamentos GLP-1 podem eliminar massa muscular junto com a gordura. Esta revisão avalia bimagrumab, enobosarm e outros complementos anabólicos desenvolvidos para proteger a massa magra.

sábado, 31 de outubro de 2026 0 visualização
Publicado em Diabetes Obes Metab
A DXA body composition scanner with a patient lying on the table in a clinic, a technician reviewing results on screen

Resumo

Medicamentos GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, produzem uma grande perda de peso, mas parte dessa perda, em algumas estimativas de até 25-45%, pode ser de tecido magro, incluindo músculo. Isso importa para a força, o controle da glicemia, a saúde óssea e o envelhecimento. Esta revisão analisa medicamentos experimentais que poderiam proteger ou construir músculo enquanto a gordura é perdida. O mais estudado é a bimagrumabe, um anticorpo que bloqueia sinais que limitam o crescimento muscular. Em um ensaio de 48 semanas em pessoas com diabetes, ela reduziu a massa gorda em cerca de 20%, enquanto a massa magra aumentou 3,6%. Os primeiros dados da combinação com semaglutida mostram uma perda de massa magra bem menor. Outros candidatos, incluindo a enobosarma, que também melhorou a função física, parecem promissores. Os dados de segurança são, em sua maioria, de eventos leves, mas de curto prazo, e nenhum desses medicamentos está aprovado para esse uso. Até lá, o treinamento de força e a ingestão adequada de proteína continuam sendo a defesa comprovada.

Resumo Detalhado

Os agonistas do receptor de GLP-1 transformaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, mas os dados de composição corporal levantam uma preocupação. Nos principais estudos, a massa livre de gordura representou cerca de 45% do peso perdido com semaglutida 2,4 mg (STEP-1), 40% com semaglutida 1,0 mg (SUSTAIN-8), 25% com tirzepatida (SURMOUNT-1) e 15% com liraglutida. A perda muscular natural associada à idade é de cerca de 0,6-1% ao ano, por isso os autores argumentam que a massa magra perdida com esses medicamentos ao longo de 6 a 12 meses poderia equivaler a décadas de envelhecimento, o que é especialmente preocupante para idosos e pessoas com obesidade sarcopênica.

O quadro não é uniforme. Uma metanálise encontrou perda de massa livre de gordura comparável à da perda de peso baseada em mudanças de estilo de vida, um estudo observou aumento de 14,9% na massa livre de gordura quando o exercício foi adicionado, e indicadores genéticos de ativação vitalícia do receptor de GLP-1 estiveram associados à perda de gordura, e não de massa magra. A massa livre de gordura também inclui órgãos, água e osso, e o músculo esquelético raramente é medido diretamente. Em camundongos, a semaglutida reduziu a força dos músculos de contração rápida em cerca de 20%, apesar de atrofia mínima, sugerindo que a qualidade muscular pode diminuir mesmo quando o tamanho não muda. O peso recuperado após a interrupção pode ser composto principalmente de gordura, piorando a relação gordura/massa magra ao longo de ciclos repetidos.

Esta revisão narrativa, com buscas realizadas em março-abril de 2025 no PubMed, JAMA, Wiley, ResearchGate e ClinicalTrials.gov, examinou nove compostos candidatos. Ela priorizou composição corporal por DXA ou ressonância magnética e medidas funcionais, como força de preensão e subida de escadas. O principal candidato é a bimagrumabe, um anticorpo que bloqueia o receptor de activina tipo IIB, usado pela miostatina e pela activina A para suprimir o crescimento muscular. Em um ensaio clínico de fase 2, randomizado e controlado por placebo, em adultos com diabetes tipo 2 e IMC de 28-40, a bimagrumabe 10 mg/kg a cada 4 semanas por 48 semanas produziu perda de peso de 6,5%, redução de 20,5% da massa gorda (versus 0,5% com placebo) e ganho de 3,6% de massa magra (versus perda de 0,8%). A sensibilidade à insulina aumentou cerca de 20%.

Ressalvas se aplicaram mesmo aqui: a força de preensão não melhorou, a DXA não consegue excluir a contribuição da água para o ganho de massa magra, e 84% dos participantes usavam metformina. Os dados de combinação são mais relevantes. Em camundongos obesos induzidos por dieta, a semaglutida reduziu a massa magra em 10%, a bimagrumabe a aumentou em 8%, e a combinação preservou totalmente a massa magra enquanto reduziu a massa gorda em 70%. No estudo BELIEVE de fase 2b, de 48 semanas, a combinação em dose alta produziu perda de peso de cerca de 20% (24,2 kg), versus 14,8% com semaglutida isolada. A massa magra caiu 2,6% com a combinação versus 7,9% com semaglutida, e a gordura correspondeu a 92,8% do peso perdido. O texto e a tabela da revisão relatam porcentagens ligeiramente diferentes para o BELIEVE.

A segurança pareceu aceitável, mas foi caracterizada de forma incompleta. Os efeitos comuns da bimagrumabe foram diarreia, espasmos musculares e acne, com elevações reversíveis de creatina quinase e uma redução reversível de FSH cujas implicações para a fertilidade são desconhecidas. Segundo o resumo, benefícios semelhantes para a massa magra foram observados com trevogrumabe, garetosmabe, apitegromabe e SRK-439, e o modulador seletivo do receptor de androgênio enobosarm também melhorou a função física. O texto fornecido é interrompido antes dessas seções, portanto os detalhes são limitados. Vários estudos de bimagrumabe com tirzepatida estão atualmente em recrutamento.

Os autores concluem que a preservação farmacológica do músculo é promissora, mas não comprovada. Nenhum desses agentes é aprovado em conjunto com medicamentos para perda de peso, a segurança a longo prazo é desconhecida e o benefício funcional ainda não foi demonstrado de forma consistente. Até que estudos controlados maiores sejam divulgados, o treinamento de resistência e a ingestão adequada de proteína continuam sendo a forma baseada em evidências de proteger o músculo durante a terapia com GLP-1.

Principais Descobertas

  • Fat-free mass made up about 45.2% of weight lost with semaglutide 2.4 mg (STEP-1), 25.3% with tirzepatide (SURMOUNT-1) and 15% with liraglutide
  • Phase 2 bimagrumab monotherapy in type 2 diabetes (48 weeks): fat mass fell 20.5% versus 0.5% with placebo, while lean mass rose 3.6% versus a 0.8% loss
  • Bimagrumab raised insulin sensitivity about 20%, but grip strength did not improve significantly versus placebo
  • In obese mice, semaglutide reduced lean mass 10%, bimagrumab raised it 8%, and the combination fully preserved lean mass with a 70% fat mass reduction
  • BELIEVE phase 2b: bimagrumab plus semaglutide gave about 20.2% weight loss versus 14.8% with semaglutide alone, and lean mass change of -2.6% versus -7.9%
  • Fat accounted for 92.8% of weight lost with the combination, and bimagrumab alone raised lean mass 2-2.5%
  • Typical side effects were diarrhea, muscle spasms and acne, plus reversible FSH reduction and creatine kinase elevation; enobosarm was the only candidate noted to improve physical function

Metodologia

Esta é uma revisão narrativa da literatura. As buscas foram realizadas entre março e abril de 2025 no PubMed, JAMA, Wiley, ResearchGate, na Biblioteca Real Dinamarquesa e no ClinicalTrials.gov, abrangendo nove compostos pré-selecionados com atividade em fase 2 e sem descontinuação. Foram incluídos estudos pré-clínicos e clínicos com grupo-controle e desfechos de massa magra e massa gorda avaliados por DXA/ressonância magnética, com a adição de alguns estudos sobre sarcopenia e distrofia muscular de Duchenne quando os dados eram escassos; também foi utilizada, com cautela, uma seleção de literatura cinzenta (resumos de congressos, comunicados à imprensa). Não foram descritas análises estatísticas combinadas (agrupadas) nem avaliação formal do risco de viés.

Limitações do Estudo

A revisão é não sistemática e inclui algumas fontes não revisadas por pares; os principais estudos eram, em sua maioria, pequenos, de curta duração e de fase 2. A massa magra medida por DXA pode incluir água e não isola o músculo esquelético, e os ganhos funcionais foram, em grande parte, ausentes com o bimagrumabe. A segurança a longo prazo (incluindo o efeito da supressão do FSH sobre a fertilidade) é desconhecida, e alguns números no texto e nas tabelas são inconsistentes. Vários estudos foram patrocinados por empresas.

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