Longevity & AgingArtigo CientíficoAcesso Aberto

Pesquisa sobre Oxigenoterapia em UTI Revela as Melhores Estratégias para Pacientes em Estado Crítico

Uma análise bibliométrica de 436 estudos mapeia os debates mais acalorados na oxigenoterapia em UTI, do dosing conservador ao oxigênio nasal de alto fluxo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026 5 visualizações
Publicado em Med Gas Res
Close-up of a ventilator mask and oxygen tubing in a dimly lit ICU, with monitors glowing in the background

Resumo

Pesquisadores analisaram 436 publicações da Web of Science Core Collection usando o software VOSviewer para mapear tendências de pesquisa em oxigenoterapia em UTI. Quatro grandes clusters emergiram: ventilação mecânica e oxigenoterapia, ECMO para COVID-19, hipóxia e monitoramento de SpO2, e oxigenoterapia inalatória. Estudos altamente citados destacam quatro pontos clínicos de destaque: oxigenoterapia conservadora (com alvo de PaO2 70–100 mmHg ou SpO2 94–98%), oxigênio nasal de alto fluxo (até 60 L/min), comparações entre estratégias de oxigenação alta versus baixa, e oxigenoterapia hiperbárica para lesão cerebral traumática e parada cardíaca. Nenhuma superioridade definitiva foi estabelecida entre as estratégias de oxigenação, e ensaios clínicos randomizados em andamento devem esclarecer os parâmetros ideais para diferentes populações de pacientes.

Resumo Detalhado

A oxigenoterapia é fundamental no cuidado em UTI, porém sua aplicação ideal permanece controversa. O excesso de oxigênio pode causar toxicidade e lesão pulmonar aguda, enquanto a oferta insuficiente agrava a hipoxemia e aumenta a mortalidade. Esta revisão buscou mapear sistematicamente o cenário de pesquisa em evolução para orientar os clínicos em direção a um uso mais racional do oxigênio.

Utilizando a Web of Science Core Collection (data de busca: 25 de novembro de 2024), os autores identificaram 436 publicações relevantes e aplicaram o VOSviewer 1.6.19 para realizar análise de co-ocorrência de palavras-chave. Foram identificados quatro agrupamentos de pesquisa: (1) oxigenoterapia associada à ventilação mecânica, (2) ECMO para pacientes com COVID-19 visando à redução da mortalidade, (3) hipóxia e monitoramento por oximetria de pulso, e (4) estratégias de oxigenoterapia inalatória. As cinco palavras-chave mais frequentes foram COVID-19, ECMO, unidade de terapia intensiva, oxigenoterapia e ventilação mecânica.

Entre os 10 artigos mais citados, a oxigenoterapia conservadora emergiu como o principal tema de destaque. Um marco no campo, um ECR publicado na JAMA em 2016 (Girardis et al., 487 citações) demonstrou que o oxigênio conservador (PaO2 70–100 mmHg, SpO2 94–98%) reduziu significativamente a mortalidade na UTI em comparação à terapia convencional. No entanto, um ECR da Nova Zelândia (ICU-ROX, 299 citações) não encontrou diferença significativa nos dias livres de ventilação mecânica, e um estudo de 2020 levantou preocupações de que o oxigênio conservador possa ser prejudicial em pacientes com sepse. A oxigenoterapia de alto fluxo por cateter nasal (HFNO, até 60 L/min) foi outro tema de grande destaque: múltiplos estudos documentaram sua capacidade de melhorar os parâmetros respiratórios, reduzir as taxas de intubação e, quando combinada com ventilação não invasiva (VNI), reduzir significativamente o risco de reintubação após extubação. Um achado relacionado à equidade racial também se destacou — pacientes asiáticos, negros e hispânicos internados em UTI receberam menos oxigênio suplementar do que pacientes brancos, devido a disparidades no desempenho do oxímetro de pulso. A oxigenoterapia hiperbárica demonstrou potencial para lesão cerebral traumática e ressuscitação cardiopulmonar, mas permanece em caráter investigacional no contexto de UTI.

Ensaios clínicos registrados em andamento em 2024 estão explorando a administração automatizada de oxigênio, novos protocolos de HFNO e estratégias combinadas de oxigenoterapia, que poderão resolver as incertezas atuais sobre os alvos ideais e a seleção de pacientes.

No geral, nenhuma estratégia única de oxigenação demonstrou superioridade universal. As evidências apoiam uma oxigenoterapia individualizada e monitorada, com atenção especial para evitar tanto a hiperoxia quanto a hipóxia. A preferência e a variação de conduta entre os clínicos provavelmente influenciam o delineamento dos ensaios e seus resultados, reforçando a necessidade de ECRs multicêntricos maiores e com maior poder estatístico.

Principais Descobertas

  • Conservative oxygen therapy (SpO2 94–98%) may reduce ICU mortality but shows no clear benefit in ventilator-free days across all patient types.
  • High-flow nasal oxygen (up to 60 L/min) reduces intubation rates; combined with NIV it significantly lowers post-extubation reintubation risk.
  • No definitive evidence favors high vs. low oxygenation strategies; clinician preference may bias future trial design.
  • Racial disparities in oxygen delivery exist: minority patients receive less supplemental oxygen partly due to pulse oximeter inaccuracies.
  • Hyperbaric oxygen therapy shows application potential in traumatic brain injury and cardiopulmonary resuscitation.

Metodologia

Análise bibliométrica de 436 publicações recuperadas da Web of Science Core Collection (sem restrição de data, data de busca: 25 de novembro de 2024) utilizando a consulta TI=(Oxygen*) AND TI=(Intensive Care Unit* OR ICU). O software VOSviewer 1.6.19 foi utilizado para agrupamento por co-ocorrência de palavras-chave e visualização de densidade. O conteúdo dos 10 artigos mais citados foi analisado qualitativamente para identificar os principais tópicos clínicos.

Limitações do Estudo

Por ser uma revisão bibliométrica, este estudo é limitado pelo viés de publicação e não realiza metanálise de desfechos clínicos. A amostra de 436 publicações está restrita a buscas no campo do título, o que pode deixar de fora estudos relevantes indexados sob terminologia diferente. Os artigos mais citados abrangem populações de pacientes heterogêneas e diferentes desenhos de estudo, o que dificulta comparações diretas.

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