Longevity & AgingArtigo CientíficoAcesso Aberto

Neurotoxicidade do clioquinol pode ter origem na destruição oxidativa da forma ativa da vitamina B1

O clioquinol, antes associado à SMON (neuropatia mielo-óptica subaguda) no Japão, parece induzir estresse oxidativo que inativa o pirofosfato de tiamina, prejudicando as mitocôndrias. TPP ou NAC reduziram a toxicidade em células e camundongos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2026 0 visualização
Publicado em Redox Biol
Glowing thiamine pyrophosphate molecule being attacked by reactive oxygen species near a damaged neuron mitochondrion, teal and amber tones

Resumo

O clioquinol (CQ), um antibiótico retirado do mercado após causar neuropatia mielo-óptica subaguda no Japão, foi posteriormente estudado como terapia para a doença de Alzheimer. Este estudo investigou como o CQ se relaciona com a deficiência de tiamina (vitamina B1). Em células de neuroblastoma humano, o CQ reduziu o pirofosfato de tiamina (TPP), a forma coenzimática ativa, sem bloquear a captação de tiamina nem inibir diretamente a TPK1, a enzima que produz o TPP. Em vez disso, o CQ aumentou o estresse oxidativo, o que favoreceu a oxidação da tiamina e inibiu a atividade da TPK1. O resultado foi uma respiração mitocondrial mais fraca, uma mudança em direção à glicólise e dano mitocondrial. Em camundongos APP/PS1 com Alzheimer, o CQ aumentou o estresse oxidativo cerebral, reduziu o TPP no cérebro e lesionou neurônios. A adição de TPP ou do antioxidante N-acetilcisteína (NAC) reduziu a toxicidade e potencializou a remoção de placas amiloides pelo CQ. As descobertas são pré-clínicas, mas sugerem uma possível forma de tornar mais seguros medicamentos semelhantes ao CQ.

Resumo Detalhado

O clioquinol (CQ) foi amplamente usado como antiparasitário oral até a década de 1970, quando foi retirado do mercado após ser associado à neuropatia mielo-óptica subaguda (SMON) no Japão. Mais tarde, despertou interesse como candidato para a doença de Alzheimer por quelar metais e poder reduzir o amiloide, mas um ensaio de fase II não mostrou benefício cognitivo e relatou sintomas neurológicos, incluindo distúrbios visuais e de percepção de cores. Suspeitava-se de que a deficiência de tiamina contribuísse para a neurotoxicidade do CQ, mas o mecanismo não estava claro.

Os pesquisadores usaram células de neuroblastoma humano SH-SY5Y (IC50 do CQ de cerca de 15 μM) e camundongos APP/PS1, modelo de doença de Alzheimer. A metabolômica direcionada identificou o pirofosfato de tiamina (TPP), a forma de coenzima ativa da vitamina B1, como um dos metabólitos mais afetados pelo CQ. Em seguida, mediram tiamina e TPP por HPLC, examinaram genes e proteínas de transporte e de síntese, testaram a atividade da enzima TPK1 e avaliaram marcadores de estresse oxidativo. A função mitocondrial foi analisada com JC-1, ensaios de ATP e análise Seahorse. Os camundongos receberam 90 mg/kg/dia de CQ por gavagem durante 30 dias, com ou sem 150 mg/kg/dia de NAC ou TPP (n = 6 por grupo).

Nas células, 15 μM de CQ reduziram significativamente o TPP e a tiamina total (tiamina + TPP), sem alteração significativa da tiamina livre. A suplementação com tiamina ou TPP (1 mM) reduziu a citotoxicidade do CQ, com o TPP sendo mais eficaz. O CQ não suprimiu os mecanismos de transporte ou de síntese de tiamina. A expressão dos transportadores e da TPK1 aumentou, o que os autores interpretam como uma resposta de retroalimentação à deficiência de TPP. O CQ também não inibiu diretamente a TPK1 recombinante, mas os produtos de oxidação da tiamina (dissulfeto de tiamina e tiocromo) a inibiram. O CQ aumentou ROS e MDA, reduziu a atividade de SOD e CAT, elevou o tiocromo no meio de cultura e reduziu a tiamina do meio. Em extratos celulares, o CQ inibiu a atividade da TPK1, e o NAC a restaurou. O trecho analisado observa que a deficiência de TPP induzida pelo CQ reduziu a fosforilação oxidativa mitocondrial, intensificou a glicólise e causou dano mitocondrial dependente de TPP.

Em camundongos APP/PS1, segundo o resumo, o CQ aumentou o estresse oxidativo cerebral, reduziu o TPP no cérebro e causou lesão neuronal. O TPP ou o NAC atenuaram essa neurotoxicidade e potencializaram a remoção de placas amiloides mediada pelo CQ. Em conjunto, os dados sustentam um modelo no qual o estresse oxidativo induzido pelo CQ oxida as espécies de tiamina e inibe a TPK1, depletando o TPP e levando à disfunção mitocondrial e à reprogramação metabólica.

O trabalho sugere que a coadministração de antioxidantes ou de TPP, ou o desenvolvimento de derivados do CQ com menor atividade pró-oxidante, poderia preservar os benefícios e limitar a neurotoxicidade. As ressalvas são que as evidências são pré-clínicas, usam uma linhagem celular derivada de câncer e um pequeno grupo de camundongos, e que o texto completo fornecido estava truncado, de modo que alguns detalhes in vivo e mitocondriais dependem do resumo. A relevância das doses para humanos e a ligação com a SMON continuam sem comprovação.

Principais Descobertas

  • CQ at ~15 μM selectively lowered TPP and total thiamine in SH-SY5Y cells, and TPP rescued CQ toxicity better than thiamine.
  • CQ did not directly inhibit TPK1; thiamine oxidation products did, and NAC restored TPK1 activity in CQ-treated cells.
  • CQ raised ROS and MDA, reduced SOD and CAT activity, and increased thiochrome in medium, indicating thiamine oxidation.
  • CQ-induced TPP deficiency reduced mitochondrial oxidative phosphorylation, increased glycolysis, and damaged mitochondria (per abstract).
  • In APP/PS1 mice, TPP or NAC mitigated CQ neurotoxicity and enhanced CQ-mediated amyloid plaque clearance (per abstract).

Metodologia

Estudo pré-clínico que combinou metabolômica direcionada, quantificação de tiamina por HPLC, expressão gênica e proteica, ensaios enzimáticos de TPK1, ensaios de estresse oxidativo e perfil metabólico por Seahorse em células SH-SY5Y. Camundongos APP/PS1 (n = 6 por grupo) receberam CQ ± NAC ou TPP por gavagem durante 30 dias, seguido de colorações de Nissl, imuno-histoquímica (IHC) para Aβ42 e coloração para 4-HNE.

Limitações do Estudo

As evidências se limitam a uma única linhagem celular neuronal derivada de câncer e a pequenos grupos de camundongos, sem dados em humanos. O texto fornecido estava truncado, de modo que os resultados mitocondriais e in vivo detalhados se baseiam no resumo, e as doses e a relação causal com a SMON continuam não verificadas.

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